BENGALAS

ESTA TÉCNICA É PORTUGUESA PORQUE SE BASEIA NAS TÉCNICAS DO JOGO DO PAU PORTUGUÊS (TRAJECTÓRIAS DOS ATAQUES E DEFESAS). O JOGO DA BENGALA A 1 MÃO, APARECE EM VÁRIOS CARTAZES DE SARAUS DA CAPITAL, NO INICIO DO SÉC. XX - A TÉCNICA AQUI APRESENTADA COM 2 BENGALAS É UM ORIGINAL DA ESCOLA DE PORTIMÃO.

==============================================================================

Dupla Bengala 1 para 1

Dupla Bengala 1 para 2

Dupla Bengala 1 para Todos

BENGALAS SILVES - 93

“BENGALADAS  COMO  TRADIÇÃO”

Embora a documentação conhecida sobre o uso técnico da bengala em Portugal, como forma de duelo e como espectáculo artístico, seja escassa, existe na nossa literatura clássica muitas referências a “bengalas e bengaladas”; sabe-se também que o jogo da bengala teve a sua época áurea na capital e até às décadas de 1920/30, todo o homem elegante usava chapéu e bengala.

Também é sabido, que após a proibição do uso de espadas, no reinado de D. João V, (devido à frequência de zaragatas de capa e espada e duelos de honra, algo muito comuns nesses tempos), quem usava espadas, passou a usar bengalas, não propriamente com o intuito de apoiar a locomoção, mas para melhor se defenderem em qualquer zaragata; como consequência, os duelos de espada, sabre e florete passaram a ser disputados numa versão mais “soft”, à bengalada.

 Por essa altura, devem ter evoluído formas de treino para o jogo de bengala, visando não só a autodefesa mas também para Números de Exibição em Festas e Saraus. Procurando usá-la da forma mais eficaz, dentro dos princípios técnicos das armas de aço curtas de “talho e estoque”; com cada mestre desenvolvendo um estilo próprio, em função das suas características pessoais e consoante o formato, tamanho, peso e material da nova arma de “impacto e ponta”. Isto aconteceu um pouco por toda a Europa, tendo os Franceses conseguido manter uma tradição muito forte neste campo até aos dias de hoje.

Surgiram assim diferentes interpretações da técnica, que embora com uma base comum, assente na geometria das trajectórias e nos princípios da biomecânica, com os praticantes interpretando-a consoante o seu temperamento e estilo pessoal, dando mais enfase a determinados movimentos em detrimento  d`outros, surgiram assim estilos diferentes, tal como aconteceu  com o jogo do pau.

Aparecem então nos Saraus, Festas e Salões, Exibições de Jogo de Bengala como a apresentada num cartaz referente ao Sarau de 1895, no REAL COLYSEU DE LISBOA, promovido pelo ATHENEU COMERCIAL DE LISBOA, apresentando entre as atrações principais o JOGO DE BENGALA pelos Exmos. Srs. Eduardo de Sousa e Valentim Pinto. Surge no mesmo cartaz, em baixo, em letras menores, as atracções secundárias: Jogo do Pau, Duplo Trapézio, Argolas e Torniquete. (Como curiosidade um dos jogadores do Pau nomeados no cartaz é o mítico Mestre Domingos Valente, Salréu).

Aí se verifica, que pelo menos em um determinado momento histórico, o Jogo da Bengala foi considerado como uma das atracções principais nos Saraus da Capital. Essa tradição de espectáculo, foi em indeterminada altura quebrada, não tendo havido uma continuidade até aos tempos modernos, como felizmente aconteceu com o nosso Jogo do Pau.

Esta Escola, visa recrear o de Jogo da Bengala como espectáculo artístico-atlético, baseado em algumas das principais técnicas  do Jogo do Pau Português: varrimentas, guardas brandas, cortes a coberto etc.

O estilo aqui apresentado com duas bengalas, baseia-se nos mesmos princípios, movimentos e trajetórias básicas e é um original da Escola de Jogo do Pau de Portimão – Prof. Helder Valente.